Contos de Kolimá | Ronaldo Correia de Brito | site oficial
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Contos de Kolimá

Uma dolorosa reflexão do escritor russo Varlam Chalámov, prisioneiro político por mais de 20 anos, nos campos de trabalhos forçados da Sibéria, durante o stalinismo. Sua amargura é semelhante à de muitos brasileiros, sobretudo os desempregados e aqueles que voltaram a ser miseráveis e a passar fome. E também á daqueles que sofreram injustiças.

Hoje, dia 31 de março de 2021, Quarta-feira de Cinzas da Semana Santa.

“Aprendemos a nos resignar, desaprendemos a nos surpreender. Em nós, não havia orgulho, nem egoísmo, nem amor-próprio; ciúme e paixão pareciam-nos noções marcianas e, ainda por cima, besteiras. Muito mais importante era pegar o jeito de abotoar as calças no frio rigoroso do inverno; homens adultos às vezes choravam quando não conseguiam fazer isso. Tínhamos compreendido que a morte não é nem um pouco pior do que a vida e não tínhamos nem uma nem outra. Uma enorme indiferença nos dominava.

Entendíamos que a vida, até a pior dela, consiste numa sucessão de alegrias e amarguras, sucessos e fracassos, e que não é preciso ter medo de que os fracassos superem os sucessos.

Éramos disciplinados, obedecíamos aos chefes. Entendíamos que verdade e mentira são irmãs de sangue, que no mundo há milhares de verdades…

Considerávamos a nós mesmos quase como santos, pensávamos que, com os anos passados na prisão, expiávamos todos os nossos pecados.”

                              

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