{"id":1325,"date":"2020-05-25T11:24:23","date_gmt":"2020-05-25T14:24:23","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ronaldocorreiadebrito.com.br\/site2\/?p=1325"},"modified":"2020-05-25T11:24:23","modified_gmt":"2020-05-25T14:24:23","slug":"homem-sentado-no-meio-fio","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ronaldocorreiadebrito.com.br\/site2\/2020\/05\/homem-sentado-no-meio-fio\/","title":{"rendered":"Homem sentado no meio fio"},"content":{"rendered":"<p class=\"p1\"><span class=\"s1\">Dizem que n\u00e3o aprecio as cidades. Pura inven\u00e7\u00e3o. Costumava caminhar pelas ruas antigas do Recife como quem percorre as galerias de um museu: olhando quadros e enxergando o que se oculta por tr\u00e1s de pinturas emolduradas. Recife \u00e9 um palimpsesto de aquarelas submersas na cali\u00e7a \u00famida das paredes e na lama do mangue. Basta remover a tinta de uma porta arruinada para surgirem imagens extravagantes. Eu me alheava do mundo procurando recantos escuros aonde a luz do sol e dos postes nunca chegou, igual a um c\u00e3o farejando sobras de comida. Meu prazer consistia em revirar ton\u00e9is repletos de tudo o que se imagina lixo.<\/span><\/p>\n<p class=\"p1\"><span class=\"s1\">Ia da ponte mais distante sobre o rio Capibaribe at\u00e9 a rodovi\u00e1ria. Nunca mais fiz o percurso. O terminal mudou-se para longe do velho centro e eu tamb\u00e9m me transformei: agora prefiro o interior seguro de um carro refrigerado. Deixo de ver cenas que se mostram apenas aos andarilhos. De carro, n\u00e3o veria a an\u00e3 sentada no caixote, em frente ao pardieiro. As casas ainda possu\u00edam entrada lateral, um p\u00e1tio onde se plantavam rom\u00e3zeiras que n\u00e3o produziam al\u00e9m das flores. Rom\u00e3s e t\u00e2maras, nostalgia de um passado oriental de mascates s\u00edrios e libaneses. <\/span><\/p>\n<p class=\"p1\"><span class=\"s1\">A an\u00e3 recostava-se na parede frontal da casa com porta e janelas para a rua. N\u00e3o lembro se cantarolava uma cantiga de roda, enquanto esperava algu\u00e9m. Suponho que sim, do mesmo modo que imaginei ter visto al\u00e9m das janelas, numa cama desarrumada, dois gatos se enroscando entre len\u00e7\u00f3is pu\u00eddos. Ou seriam dois beb\u00eas, um preto e um branco? Os beb\u00eas eu vi em outra casa do bairro, numa festa carnavalesca, h\u00e1 muitos anos, quando atravessei os corredores de um sobrado amea\u00e7ando cair. Meus amigos garantem que sofri uma alucina\u00e7\u00e3o, pois sempre fui dado a visagens. Mas juro ter visto o quadro estranho, com a lucidez de um assombrado.<\/span><\/p>\n<p class=\"p1\"><span class=\"s1\">Os dois meninos lembravam os santos Cosme e Dami\u00e3o. Mais tarde, investiguei a mitologia dos orix\u00e1s e compreendi tratar-se dos Ibejis, g\u00eameos travessos que brincam com fogo. Na casa, praticava-se a religi\u00e3o africana e certamente os dois beb\u00eas estavam de visita. Descobri nos livros que at\u00e9 mesmo a morte os dois peraltas enganaram, quanto mais um sonhador e aluado como eu. <\/span><\/p>\n<p class=\"p1\"><span class=\"s1\">No Carnaval, alguns foli\u00f5es abriam as resid\u00eancias para os blocos do Recife, oferecendo comida e bebida. N\u00e3o pediam nenhum dinheiro em troca, queriam apenas o gozo da festa. A dona da casa onde vi os meninos estranhos, uma negra criada no culto aos orix\u00e1s, recebia os brincantes por prazer e tradi\u00e7\u00e3o. Ela pertencia \u00e0 terceira linhagem de escravos libertos, mas ainda guardava na mem\u00f3ria a fala ritual de sua gente. Cantava e rezava em nag\u00f4, mesmo sem saber o significado das palavras que se acostumara a repetir.<\/span><\/p>\n<p class=\"p1\"><span class=\"s1\">No dia em que tive a miragem dos g\u00eameos, tomamos a casa de assalto. Era assim que chamavam a entrada dos blocos nas resid\u00eancias amigas: assalto carnavalesco. Os m\u00fasicos largaram os instrumentos, os passistas encostaram o estandarte e o abre-alas do bloco na parede, pois s\u00f3 pensavam em comer e beber. Suarentos e embriagados, comprimiam-se em torno da mesa repleta de frutas, sucos e carnes. Alguns teimavam em cantarolar peda\u00e7os de can\u00e7\u00f5es, velhas marchas repetidas ao longo dos anos. Quase morrendo de sede, tentei pegar um suco de mel\u00e3o. Mas os foli\u00f5es excitados e famintos n\u00e3o abriam um espa\u00e7o na mesa para mim. As melancias, as mangas, os sapotis e as laranjas se afastavam para mais longe; os bolos de macaxeira, o mungunz\u00e1 e as tapiocas se transformavam em desejo e saliva na minha boca. <\/span><\/p>\n<p class=\"p1\"><span class=\"s1\">Sou empurrado para fora do c\u00edrculo da mesa, fico t\u00e3o distante que os sapotis e as mangas viram pinturas de uma natureza morta. Desisto. Deixo para tr\u00e1s os glut\u00f5es de Momo e me aventuro casa adentro. Caminho por um corredor longo e estreito, como um son\u00e2mbulo que n\u00e3o se perde nem esbarra nos obst\u00e1culos. J\u00e1 estive ali em outro tempo? S\u00f3 se foi em sonho. H\u00e1 uma profus\u00e3o de quartos, portas abertas e fechadas, arm\u00e1rios, cadeiras, trastes indecifr\u00e1veis na penumbra. Numa cama de casal, avisto os dois beb\u00eas engalfinhados, um preto e um branco. E sete passos adiante, numa sala iluminada por uma l\u00e2mpada presa ao teto, tr\u00eas pretas velhas bebendo aguardente em volta de uma mesa.<\/span><\/p>\n<p class=\"p1\"><span class=\"s1\">\u2013 Quer? \u2013 me oferecem.<\/span><\/p>\n<p class=\"p1\"><span class=\"s1\">\u2013 Obrigado, n\u00e3o bebo cacha\u00e7a.<\/span><\/p>\n<p class=\"p1\"><span class=\"s1\">As tr\u00eas riem do meu acanhamento. Uma delas comenta:<\/span><\/p>\n<p class=\"p1\"><span class=\"s1\">\u2013 Voc\u00ea n\u00e3o sabe o que perde.<\/span><\/p>\n<p class=\"p1\"><span class=\"s1\">Sei que perco nuances de um Recife de belezas e armadilhas. Prefiro fechar-me num carro blindado.<\/span><\/p>\n<p class=\"p1\"><span class=\"s1\">\u2013 Quem s\u00e3o os dois meninos na cama? \u2013 pergunto. <\/span><\/p>\n<p class=\"p1\"><span class=\"s1\">\u2013 Ah! Os meninos. O senhor viu?<\/span><\/p>\n<p class=\"p1\"><span class=\"s1\">\u2013 Vi.<\/span><\/p>\n<p class=\"p1\"><span class=\"s1\">Elas gargalham em coro e entornam a bebida goela abaixo. <\/span><\/p>\n<p class=\"p1\"><span class=\"s1\">\u2013 Se o senhor viu \u00e9 porque nem tudo est\u00e1 perdido.<\/span><\/p>\n<p class=\"p1\"><span class=\"s1\">E bebem mais cacha\u00e7a e riem com descaramento de minha surpresa.<\/span><\/p>\n<p class=\"p1\"><span class=\"s1\">Do jeito que agora rio da an\u00e3, sentadinha no caixote. Tamb\u00e9m<\/span> <span class=\"s1\">espero acontecimentos no beco estreito apinhado de sobrados, onde antigamente mascates expunham pe\u00e7as de damasco e tafet\u00e1 de seda, e as mulheres trocavam temperos de uma cozinha para outra, apenas estendendo<\/span> <span class=\"s1\">os bra\u00e7os nas sacadas: pimenta por cravo da \u00edndia, noz moscada por alecrim, cardamomo por s\u00e1lvia. <\/span><\/p>\n<p class=\"p1\"><span class=\"s1\">Sento no meio fio e ningu\u00e9m estranha meu gesto. O nariz rastreia cheiro de merda por baixo do perfume de mijo das cal\u00e7adas e ruas sujas.<span class=\"Apple-converted-space\">\u00a0 <\/span>\u00c9 o cheiro do Recife. Sinto-me um arque\u00f3logo de sensa\u00e7\u00f5es, investigando a propriedade dos corpos emanarem part\u00edculas vol\u00e1teis, capazes de provocar abalo no olfato humano. Aspiro cheiro de santidade e latrina acumulado em quinhentos anos de constru\u00e7\u00f5es e desabamentos, revolu\u00e7\u00f5es e esb\u00f3rnia, com o mesmo fervor e devo\u00e7\u00e3o.<\/span><\/p>\n<p class=\"p1\"><span class=\"s1\">\u2013 J\u00e1 comeu?<\/span><\/p>\n<p class=\"p1\"><span class=\"s1\">\u2013 Comi \u2013 respondo mentindo.<\/span><\/p>\n<p class=\"p1\"><span class=\"s1\">\u2013 Comer \u00e9 importante. A comida sobrou da obriga\u00e7\u00e3o do Santo, mas n\u00e3o \u00e9 sobejo. Coma sem nojo. <\/span><\/p>\n<p class=\"p1\"><span class=\"s1\">As pretas se referem \u00e0 mesa posta para os brincantes, a que n\u00e3o consegui alcan\u00e7ar, apenas ver de longe e sentir desejo. Frutas, cereais e carnes da culin\u00e1ria nag\u00f4, na casa onde se festejam os orix\u00e1s e o carnaval.<\/span><\/p>\n<p class=\"p1\"><span class=\"s1\">\u2013 Ent\u00e3o, beba.<\/span><\/p>\n<p class=\"p1\"><span class=\"s1\">\u2013 Desculpem, n\u00e3o bebo cacha\u00e7a. <\/span><\/p>\n<p class=\"p1\"><span class=\"s1\">\u2013 Nem oferece ao Santo?<\/span><\/p>\n<p class=\"p1\"><span class=\"s1\">\u2013 N\u00e3o sou devoto.<\/span><\/p>\n<p class=\"p1\"><span class=\"s1\">A mais gorda comenta:<\/span><\/p>\n<p class=\"p1\"><span class=\"s1\">\u2013 Mas v\u00ea coisas. Imagine se fosse.<\/span><\/p>\n<p class=\"p1\"><span class=\"s1\">Todas gargalham alto e bebem. <\/span><\/p>\n<p class=\"p1\"><span class=\"s1\">A an\u00e3 se mexe no assento improvisado. Nem observei que entrara em casa, trazendo uma garrafa de cerveja. Distraio-me com facilidade. A mulherzinha provoca turbilh\u00f5es nos meus pensamentos, me desvia do projeto de chegar \u00e0 rodovi\u00e1ria e enviar uma encomenda para a cidade onde nasci, um lugar bem longe, diferente do Recife que busco atravessar, mas n\u00e3o consigo.<\/span><\/p>\n<p class=\"p1\"><span class=\"s1\">\u2013 Queridos pais, segue&#8230;<\/span><\/p>\n<p class=\"p1\"><span class=\"s1\">N\u00e3o contava com o obst\u00e1culo do caixote, a cena que manda ao inferno meus deveres de filho.<\/span><\/p>\n<p class=\"p1\"><span class=\"s1\">\u2013 Queridos pais: sa\u00ed do apartamento com o prop\u00f3sito de enviar os rem\u00e9dios de vov\u00f3, pedidos para comprar aqui, porque o pre\u00e7o \u00e9 bem mais em conta. Atravessei ruas de casas que j\u00e1 foram habitadas por fam\u00edlias e se transformaram em com\u00e9rcio, numa voca\u00e7\u00e3o de mascatear que o Recife possui desde sua funda\u00e7\u00e3o. Passa de sete da noite, baixaram as portas corredi\u00e7as das lojas, e pelas janelas entreabertas avisto retardat\u00e1rios arrumando mercadorias. N\u00e3o sei o que eles pensam e essa ignor\u00e2ncia me inquieta. Sinto-me perdido em meio a frutas podres, esgotos, lixo e c\u00e3es vadios. N\u00e3o consigo ir al\u00e9m de uma linha divis\u00f3ria: um caixote onde uma an\u00e3 sentou-se, como se fosse rainha do mundo. Quem essa mulherzinha pensa que \u00e9? Reconhe\u00e7o nela, aterrorizado, uma grandeza que antes me escapava. Minhas pernas tremem. <\/span><\/p>\n<p class=\"p1\"><span class=\"s1\">As tr\u00eas mulheres em volta da mesa bebem mais copos de aguardente, como se bebessem \u00e1gua. Nas paredes, velhos estandartes de clubes e blocos acumulam poeira. Num nicho de pedra, uma vela acesa para n\u00e3o sei que santo ou finado.<\/span><\/p>\n<p class=\"p1\"><span class=\"s1\">\u2013 E o que voc\u00ea faz aqui?<\/span><\/p>\n<p class=\"p1\"><span class=\"s1\">\u2013 Vim atr\u00e1s do bloco.<\/span><\/p>\n<p class=\"p1\"><span class=\"s1\">\u2013 E saiu bisbilhotando.<\/span><\/p>\n<p class=\"p1\"><span class=\"s1\">\u2013 Desculpem, \u00e9 um v\u00edcio de menino. <\/span><\/p>\n<p class=\"p1\"><span class=\"s1\">Estacionou um autom\u00f3vel numa casa vizinha \u00e0 da an\u00e3. Uma senhora sai, entrega um pacote ao motorista e recebe dinheiro. O autom\u00f3vel se afasta explodindo o escape. A senhora cumprimenta a an\u00e3. Ou\u00e7o a pergunta:<\/span><\/p>\n<p class=\"p1\"><span class=\"s1\">\u2013 E ele?<\/span><\/p>\n<p class=\"p1\"><span class=\"s1\">Um estampido mais alto n\u00e3o me deixa ouvir a resposta.<\/span><\/p>\n<p class=\"p1\"><span class=\"s1\">Descubro casas habitadas por moradores escondidos e an\u00f4nimos. Eles reinventam a antiga arquitetura, improvisam cozinhas, salas, quartos e banheiros, criam h\u00e1bitos inexistentes, calend\u00e1rios e rel\u00f3gios em descompasso com o tempo da cidade.\u00a0<\/span><\/p>\n<p class=\"p1\"><span class=\"s1\">\u2013 <i>E o Recife adormecia<\/i><\/span><\/p>\n<p class=\"p1\"><span class=\"s1\"><i><span class=\"Apple-converted-space\">\u00a0 <\/span>ficava a sonhar<\/i><\/span><\/p>\n<p class=\"p1\"><span class=\"s1\"><i><span class=\"Apple-converted-space\">\u00a0 <\/span>ao som da triste melodia<\/i>.<\/span><\/p>\n<p class=\"p1\"><span class=\"s1\">Escutei perfeitamente. A an\u00e3 cantarola uma marcha de bloco, a mais famosa, entre um gole de cerveja e uma baforada de cigarro. Olha para o meu lado, mas n\u00e3o \u00e9 a mim que espera.<\/span><\/p>\n<p class=\"p1\"><span class=\"s1\">A porta de uma casa se abre. Um homem acompanhado de seu c\u00e3o joga sacos de lixo na cal\u00e7ada. Entra de volta e fecha a porta. Sinto-me acabrunhado e sozinho. O que ainda me prende nesse lugar de sombras? Se me puser a caminho, alcan\u00e7arei o \u00f4nibus para minha cidade. Mas n\u00e3o consigo transpor a linha imagin\u00e1ria que delimita o lugar marginal onde eu e a an\u00e3 nos sentamos, esperando algu\u00e9m. <\/span><\/p>\n<p class=\"p1\"><span class=\"s1\">Ou\u00e7o passos atr\u00e1s de mim, mas n\u00e3o deve ser ele. Nunca o imaginaria sorrateiro, oculto pela sombra das paredes. Ele chegar\u00e1 \u00e0 nossa frente, cansado e feliz. J\u00e1 de longe sorrir\u00e1 para a an\u00e3, que o reconhecer\u00e1 pelo cheiro de graxa da roupa, pelo assobio fino, pelo jeito macio de caminhar. <\/span><\/p>\n<p class=\"p1\"><span class=\"s1\">\u00c9 mesmo ele quem chega igualzinho a todas as noites. Levanto-me como no cinema, antes do beijo final. A an\u00e3 tamb\u00e9m se levanta do caixote, vai ao encontro do homem e estende a m\u00e3o. Se fosse um pouquinho mais alta, enla\u00e7aria a cintura do amado. <\/span><\/p>\n<p class=\"p1\"><span class=\"s1\">Cruzo com os dois sem cumpriment\u00e1-los. Olho uma \u00faltima vez para tr\u00e1s. De costas, eles formam um casal harmonioso. Parecem g\u00eameos.<\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Dizem que n\u00e3o aprecio as cidades. Pura inven\u00e7\u00e3o. Costumava caminhar pelas ruas antigas do Recife como quem percorre as galerias de um museu: olhando quadros e enxergando o que se oculta por tr\u00e1s de pinturas emolduradas. 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