{"id":6,"date":"2014-01-13T08:49:23","date_gmt":"2014-01-13T11:49:23","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ronaldocorreiadebrito.com.br\/site2\/?page_id=6"},"modified":"2014-04-06T21:36:55","modified_gmt":"2014-04-07T00:36:55","slug":"o-autor","status":"publish","type":"page","link":"https:\/\/www.ronaldocorreiadebrito.com.br\/site2\/o-autor\/","title":{"rendered":"O autor"},"content":{"rendered":"<div>\n<p><strong>Ronaldo Correia de Brito <\/strong>\u00e9 escritor e m\u00e9dico, nasceu em Saboeiro, Cear\u00e1, em 2 de julho de 1951. Radicado em Recife, formou-se em Medicina pela Universidade Federal de Pernambuco, 1975, com forma\u00e7\u00e3o Psicanal\u00edtica pelo Centro de Estudos Freudianos. Foi escritor residente da Universidade de Berkley (Calif\u00f3rnia), participou de diversos eventos internacionais, como a Feira do Livro de Bogot\u00e1 e o Festival Internacional de Literatura de Buenos Aires e do Salon du Livre de Paris. Recebeu homenagens por sua obra, como a da VIII Bienal Internacional do Livro de Pernambuco.<\/p>\n<div>\n<p>Sua carreira art\u00edstica envolve as mais diferentes linguagens, como literatura, teatro e m\u00fasica. S\u00e3o de sua autoria O baile do menino deus (teatro), Lua Cambar\u00e1 (disco), Faca (livro de contos), Galil\u00e9ia (romance ganhador do Pr\u00eamio S\u00e3o Paulo de Literatura) e o mais recente Estive l\u00e1 fora (romance). Em 2013 ser\u00e1 um dos autores brasileiros convidados a participar da Feira do Livro de Frankfurt e da Jornada Liter\u00e1ria de Pequim.<\/p>\n<h2>Biografia<\/h2>\n<h3><b>No princ\u00edpio era o sert\u00e3o<\/b><\/h3>\n<p>Ronaldo Correia de Brito nasceu na fazenda Lajedo, munic\u00edpio de Saboeiro \u2013 Cear\u00e1, sert\u00e3o dos Inhamuns, em 1 de outubro de 1950. Era nove horas de uma manh\u00e3 de domingo, seu pai Jo\u00e3o Leandro saiu ao terreiro e deu um tiro de espingarda para cima, anunciando as alv\u00edssaras. Quando a fam\u00edlia levou a crian\u00e7a para ser batizada, na igrejinha colonial de Saboeiro, o padre redentorista alem\u00e3o confundiu o nome \u2018Ronaldo\u2019 com \u2018Runwald\u2019 \u2013 de origem druida, usado para designar o feiticeiro que joga as runas \u2013 e recusou-se a batizar a crian\u00e7a dizendo tratar-se de um nome pag\u00e3o. A fam\u00edlia, \u00e0s pressas, escolheu o nome \u2018Jos\u00e9\u2019, porque o beb\u00ea nascera la\u00e7ado pelo cord\u00e3o umbilical e chamar-se \u2018Jos\u00e9\u2019 seria o sortil\u00e9gio que o livraria de morrer afogado. A confus\u00e3o n\u00e3o terminou a\u00ed. Contrariado com a recusa do padre, o pai decidiu registr\u00e1-lo \u2018Ronaldo\u2019, esquecendo o \u2018Jos\u00e9\u2019 do batismo. O tabeli\u00e3o do cart\u00f3rio havia bebido em excesso naquele dia e escreveu no registro a data 2 de julho de 1951, o que s\u00f3 foi descoberto anos depois e nunca corrigido. Com dois nomes e duas datas de nascimento, Ronaldo escolheu chamar-se Ronaldo e teve de assumir, por motivos burocr\u00e1ticos, o 2 de julho de 1951.<\/p>\n<h3><b>Os antepassados sefarditas<\/b><\/h3>\n<p>Ritinha Brito, a m\u00e3e, nascera no Crato, na regi\u00e3o do Cariri, cidade cercada pela Chapada do Araripe, com floresta atl\u00e2ntica e centenas de nascentes d\u2019\u00e1gua, o oposto do \u00e1rido sert\u00e3o dos Inhamuns, cortado pelo rio Jaguaribe, um rio seco que enche apenas durante a esta\u00e7\u00e3o das chuvas. A fam\u00edlia do pai e da m\u00e3e viera de Pernambuco, no final do s\u00e9culo XVII, parte dela ficou em Saboeiro, alguns fundaram a cidade de V\u00e1rzea Alegre e outros seguiram para o Crato. Muitos tinham ascend\u00eancia de crist\u00e3os novos, judeus sefarditas batizados de p\u00e9 para escapar \u00e0 Inquisi\u00e7\u00e3o, em Portugal.\u00a0 O of\u00edcio de professora levou Ritinha Brito ao Ros\u00e1rio, onde conheceu o aluno Jo\u00e3o Leandro, filho dos donos da propriedade. Os dois se apaixonaram, se casaram, e receberam a fazenda Lajedo para morar e administrar.<\/p>\n<p>Entre os poucos pertences da jovem esposa, o mais valioso era um caixote com gram\u00e1ticas, livros de aritm\u00e9tica, modestas antologias e uma seleta de textos b\u00edblicos do antigo e novo testamento, muito popular nas casas cearenses: A Hist\u00f3ria Sagrada. Os livros de matem\u00e1tica e portugu\u00eas serviram aos estudos de Jo\u00e3o Leandro. Em narrativas como a de <i>Jos\u00e9 do Egito e seus irm\u00e3os<\/i>, Ronaldo aprendeu a ler e a confundir os pastores sertanejos com os hebreus. A B\u00edblia sempre representou para ele o mais extraordin\u00e1rio livro de contos e iria marc\u00e1-lo por toda vida.<\/p>\n<p>Na fazenda Lajedo nasceram cinco irm\u00e3os, desses, dois morreram bem cedo. Quando os pais reconheceram que n\u00e3o havia mais futuro no campo, mudaram-se para o Crato.\u00a0 O ano era 1955, e o menino acabara de completar cinco anos. Na cidade, a segunda maior do Cear\u00e1, ele estudou at\u00e9 a terceira s\u00e9rie prim\u00e1ria no Grupo Escolar Francisco Jos\u00e9 de Brito e depois se transferiu para o Col\u00e9gio Diocesano, onde ficou at\u00e9 o segundo ano cient\u00edfico.<\/p>\n<h3><b>A cidade do Crato<\/b><\/h3>\n<p>No Crato, Ronaldo assiste aos espet\u00e1culos populares \u2013 reisados, lapinhas, pastoris, bandas caba\u00e7ais, dramas de cal\u00e7ada \u2013 e frequenta as festas da Igreja, ricas em representa\u00e7\u00f5es, verdadeiros autos sacramentais. Ele credita \u00e0s experi\u00eancias com as brincadeiras de rua e as celebra\u00e7\u00f5es religiosas o seu gosto pelo teatro e a sua forma\u00e7\u00e3o dramat\u00fargica. O h\u00e1bito de ouvir hist\u00f3rias da tradi\u00e7\u00e3o universal, das mitologias locais, e hist\u00f3rias familiares narradas por diferentes pessoas como a av\u00f3 materna, a m\u00e3e, o pai e os tios, contadas por homens e mulheres que ao modo dos \u201cgriots\u201d da \u00c1frica Central perambulavam por fazendas e engenhos, entretendo as pessoas com seu repert\u00f3rio de narrativas, marcou profundamente o futuro escritor.<\/p>\n<p>Num universo pobre de livros e leitores as bibliotecas da diocese, de um primo letrado e da Faculdade de Filosofia representaram a chance de ter acesso ao conhecimento escrito. Quando saiu do Crato para morar no Recife, j\u00e1 havia lido quase toda obra de Machado de Assis, Jos\u00e9 de Alencar e Monteiro Lobato, e cl\u00e1ssicos como Homero, Shakespeare, Balzac, Dostoievski, Tolstoi, \u00c9squilo, S\u00f3focles, Eur\u00edpides e as narrativas da B\u00edblia. E tamb\u00e9m via o que passava nos cinemas, sem cr\u00edtica nem crit\u00e9rios, das chanchadas da Atl\u00e2ntida aos cl\u00e1ssicos americanos de John Huston e John Ford, e at\u00e9 diretores europeus famosos como Pasolini, Visconti e Godard.<\/p>\n<h3><b>Recife em tempos sombrios<\/b><\/h3>\n<p>Em 1969, quando chegou ao Recife para o cursinho pr\u00e9-vestibular de medicina, vivia-se o auge da repress\u00e3o militar. Nesse ano foi assassinado o Padre Henrique Pereira e baleado o l\u00edder estudantil da Faculdade de Engenharia, C\u00e2ndido Pinto. Em meio ao terror, o Recife mostrava a beleza de sua arquitetura variada, os rios e as pontes, causando forte impress\u00e3o no jovem estudante. Camus havia comparado a cidade a Floren\u00e7a e o poeta Jo\u00e3o Cabral a achava parecida com Sevilha. Ronaldo reencontrou um colega do Crato, Francisco Assis de Sousa Lima, com quem j\u00e1 ensaiara um experimento no teatro, e ele se tornaria seu futuro parceiro de pesquisas e cria\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Classificados no vestibular, os dois se matriculam na Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Pernambuco, no ano de 1970. No segundo semestre desse ano v\u00e3o morar na Casa do Estudante Universit\u00e1rio e dividem quarto com o poeta \u00c2ngelo Monteiro, de quem se tornam grandes amigos. Gra\u00e7as a \u00c2ngelo, frequentam o Departamento de Extens\u00e3o Cultural da Universidade (DEC), dirigido por Ariano Suassuna, que acabara de fundar o Movimento Armorial. Pelo DEC circulavam os mais importantes intelectuais pernambucanos: escritores, poetas, artistas pl\u00e1sticos e m\u00fasicos. Apesar de muito jovem, Ronaldo \u00e9 aceito nas rodas de conversas e frequenta espet\u00e1culos teatrais, concertos e exposi\u00e7\u00f5es. Alguns anos mais tarde, ele e Assis Lima far\u00e3o uma duradoura parceria com o m\u00fasico Antonio Madureira, do Quinteto Armorial, mesmo n\u00e3o sendo filiados a esse movimento. Numa tarde desse mesmo ano de 70, ele l\u00ea para \u00c2ngelo Monteiro, Assis Lima e uma pequena plat\u00e9ia da Casa, o primeiro esbo\u00e7o do conto Lua Cambar\u00e1.<\/p>\n<h3><b>Lua Cambar\u00e1, o princ\u00edpio<\/b><\/h3>\n<p>Esse conto tosco seria o ponto de partida para a cria\u00e7\u00e3o de um roteiro e a realiza\u00e7\u00e3o do primeiro longa-metragem na bitola super-8, rodado e montado nos anos de 1975, 76 e 77, em parceria com Assis Lima e Hor\u00e1cio Carelli Mendes, com m\u00fasica de Antonio Madureira, numa aventura t\u00edpica da d\u00e9cada. Ao estilo do neo-realismo italiano, os atores n\u00e3o eram profissionais. Avelina Brand\u00e3o, que vive o papel principal na pel\u00edcula, era uma jovem m\u00e9dica, namorada de Ronaldo, que fora acompanhar as filmagens e terminou sendo convocada para atuar. A c\u00f3pia em super-8 foi transcrita para \u2018Betacam\u2019 e mostrada na televis\u00e3o. Gra\u00e7as a isso o professor da USP Davi Arrigucci Jr. viu o filme, escreveu sobre o mesmo, e mais tarde teve um papel significativo ao lan\u00e7ar Ronaldo como escritor.<\/p>\n<p><i>Lua Cambar\u00e1<\/i> ganhou uma vers\u00e3o musical, composta por Antonio Madureira, duas vers\u00f5es para bal\u00e9 e uma nova vers\u00e3o para o cinema, dirigida por Rosemberg Cariry.<\/p>\n<h3><b>Trilogia das Festas Brasileiras<\/b><\/h3>\n<p>No come\u00e7o da d\u00e9cada de 1980, em conversa com os amigos Assis e Zoca (Antonio Madureira) acharam que as festas de Natal, S\u00e3o Jo\u00e3o e Carnaval precisavam de dramaturgia e m\u00fasica \u00e0 altura das celebra\u00e7\u00f5es populares nordestinas. Zoca brincava dizendo que os filhos cresceriam vendo apenas as decora\u00e7\u00f5es dos shoppings e escutando tocar o <i>Jingle Bells<\/i>.\u00a0 Em 1983 eles lan\u00e7am um disco pelo selo Eldorado \u2013 <i>Baile do Menino Deus<\/i> \u2013 e estr\u00e9iam uma pe\u00e7a com o mesmo nome. Antes de sair a segunda \u2018festa\u2019 da trilogia, eles aprontam, em 1985, o disco <i>O Pav\u00e3o Misterioso<\/i> e estr\u00e9iam uma pe\u00e7a de mesmo nome. \u00c9 a adapta\u00e7\u00e3o de um famoso cordel, e teve a parceria de Antonio Carlos N\u00f3brega. Em 1987, no mesmo esquema de grava\u00e7\u00e3o de um disco e estr\u00e9ia de uma pe\u00e7a teatral, sai <i>Bandeira de S\u00e3o Jo\u00e3o<\/i> e, em 1989, <i>Arlequim<\/i>.<\/p>\n<p>Baile do Menino Deus faz grande sucesso no Recife e torna-se conhecido e encenado no restante do Brasil. Uma edi\u00e7\u00e3o da Objetiva para o Programa Nacional Biblioteca Escolar, ganhou tiragem de quase meio milh\u00e3o de livrinhos. A Editora Baga\u00e7o, do Recife, publica a partir de 1996 as tr\u00eas pe\u00e7as da trilogia, adaptadas para prosa. A vers\u00e3o de <i>O Pav\u00e3o Misterioso<\/i> sai pela Cosacnaify, em 2004, ano em que o <i>Baile do Menino Deus<\/i>, no formato de cantata natalina, estr\u00e9ia na Pra\u00e7a do Marco Zero, no Recife, onde est\u00e1 em cartaz h\u00e1 10 anos, sempre nos dias 23, 24 e 25 de dezembro, tornando-se uma grande festa natalina da cidade, do estado e do nordeste.<\/p>\n<h3><b>Contos e romances deixam as gavetas<\/b><\/h3>\n<p>Embora escrevesse contos e se considerasse um contista, Ronaldo publica sua primeira colet\u00e2nea apenas em 1987: <i>As noites e os dias<\/i> \u2013 Editora Baga\u00e7o. Anos depois ele envia um exemplar desse \u2018livrinho magro\u2019 ao professor e cr\u00edtico Davi Arrigucci Jr., que o indica \u00e0 editora Cosacnaify. Gra\u00e7as a esse empurr\u00e3o e aos cuidados editoriais de Rodrigo Lacerda e Augusto Massi, sai publicado <i>Faca<\/i>, em 2003. Em 10 anos, as gavetas se abrem e Ronaldo exp\u00f5e o que escondia: Pela editora Cosacnaify: <i>O Pav\u00e3o misterioso<\/i>, 2004, em parceria com Assis Lima; <i>Livro dos Homens<\/i>, 2005. Pela Editora Alfaguara: <i>Galileia<\/i>, 2008, que ganhou o Pr\u00eamio S\u00e3o Paulo de Literatura \u2013 Melhor livro do Ano; <i>Retratos imorais<\/i> \u2013 contos \u2013, 2010; <i>Arlequim de Carnaval<\/i>, 2011 e <i>Bandeira de S\u00e3o Jo\u00e3o<\/i>, 2012, em parceria com Assis Lima; e o romance <i>Estive l\u00e1 fora<\/i>, 2012. Pela Editora Objetiva publica, em 2011, <i>Baile do Menino Deus<\/i>, tamb\u00e9m em parceria com Assis Lima, e o livro <i>Cr\u00f4nicas para ler na escola<\/i>.<\/p>\n<p>A convite do jornalista M\u00e1rio H\u00e9lio, a partir de dezembro de 2000 passa a assinar a coluna <i>Entremez<\/i>, na revista Continente. Mais tarde, colabora semanalmente com revista Terra Magazine, do Portal Terra, editada por Bob Fernandes e, anos depois, torna-se colunista quinzenal do jornal O Povo, publicado no Cear\u00e1. Colabora em diversos jornais e revistas do Brasil com resenhas de livros, ensaios, cr\u00f4nicas e contos.<\/p>\n<p>Enquanto trabalha a prosa, escreve e encena diversos textos teatrais. Os contos s\u00e3o adaptados para o teatro e o cinema. A partir do \u00eaxito alcan\u00e7ado pelo romance Galileia, come\u00e7am as tradu\u00e7\u00f5es de seus livros, os convites para palestras, entrevistas, viagens ao exterior. Nesse tempo, como o tamb\u00e9m m\u00e9dico e escritor Tchekhov, busca um equil\u00edbrio entre o exerc\u00edcio da literatura e da medicina.<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ronaldo Correia de Brito \u00e9 escritor e m\u00e9dico, nasceu em Saboeiro, Cear\u00e1, em 2 de julho de 1951. 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